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“Fazemos as pazes com os inimigos…”       

Estamos quase na metade da temporada, mas as transições nas tramas e o desenvolvimento dos planos dos personagens são ainda necessários e ditam o ritmo do episódio. Mas não é por isso que “Book of Stranger” seria menos interessante.

Confesso que tive bastante dificuldade para traçar uma relação clara entre o título do episódio, o conteúdo apresentado e as possíveis intenções nas entrelinhas da história. “Book of Stranger” se refere ao Livro do Estranho; este Estranho é uma das sete faces do deus da Fé dos Sete, que diz respeito ao aspecto do desconhecido e da morte. Inclusive, o Estranho é chamado de “Deus de muitas faces” pelos Homens Sem Rosto, dele devotos, mas, curiosamente, a Arya nem mesmo apareceu nesse episódio.

O Estranho representa o oculto, a morte e um suposto aspecto negativo do deus da Fé dos Sete. Sua representação é uma figura que não é propriamente humano e seu rosto está coberto e há caveiras em torno; esta face é uma figura renegada dos Sete pelos crentes dessa fé (que possui apenas um deus, mas com virtudes tão marcantes que é representado por elas quase que independente, como se fossem de fato Sete deuses, por isso “Fé dos Sete” ou “Novos Deuses”). Afinal, não parece muito natural para muitas culturas, inclusive em Westeros, que a face que represente a morte tenha muitos devotos, não?

Mas a questão que parece mais importante ressaltar é que o “Book of Stranger” não se refere, nesse título, ao livro em seu sentido literal, mas o estigma que o Estranho carrega. Ele é ignorado na fé e seus poucos devotos têm como função atividades fúnebres, tais como recolher e destinar os cadáveres ou, no caso dos Homens sem Rosto, de fazer com que cadáveres venham a existir. Podemos entender que o estranho aqui é aquilo contrário à normalidade, “bondade” e naturalidade das coisas

As outras faces são o Pai, a Mãe, o Ferreiro etc., e trazer o Estranho em evidência é subversivo e esquisito, pois é aquela parte que todos querem esconder e ignorar, mas indubitavelmente existe de uma forma ou de outra. Não são elementos que se deve necessariamente gostar, mas estão lá postos e algo precisa ser feito para mudá-los ou simplesmente aprender a conviver com isso. O Estranho é essa parte da vida envolta de mistério e/ou de tragédia.

O Universo de Game of Thrones nos mostra aquelas circunstâncias constantemente, mas nesse episódio a estranho foi posto a mostra de forma mais escancarada e desafiou as estruturas até então bem fincadas em Westeros e Essos. Cada núcleo se renovou de forma a mostrar a sua face oculta e as ações dos personagens vão intensificar as respectivas guerras a níveis até então não vistos.

WESTEROS

Muralha e o Norte

Afinal, Jon Snow não mudou após a morte. Não mudou em razão do ritual de ressurreição em si ao menos. Sua essência não mudou e ele continua sendo Jon Snow, suas memórias parecem não ter sido afetadas; seus sentimentos de cautela, medo e cansado são devidos ao trauma de ter sido traído pelos parceiros de Patrulha e a estranheza de ter voltado da morte, não se evidenciando as consequências mostradas no livro ou vividas por outros personagens que também passaram por esse ritual.

Happy news: não inventaram mais um desencontro dos irmãos Stark nessa série! Os fãs estavam agoniados (eu) com a possibilidade de Jon sair da Muralha antes da Sansa chegar, mas isso não aconteceu. Enfim um momento de amor fraternal e emocionante foi mostrado e, melhor ainda, com muita relevância para a trama. Um momento impecável, com ótimas atuações e muito amor envolvido! <3 eu chorei. Depois de anos sem verem um familiar sequer e Jon sem saber se ao menos algum irmão estava vivo, Sansa chega a Muralha com Brienne e Podrick e os irmãos Stark se reencontram.

Mas não foi só amor fraternal, houve também perdão (outra coisa rara em Westeros). Lembremos que, quando Ned ainda era Guardião do Norte e os Stark viviam normalmente em família, Sansa era apenas uma menina que queria ser uma lady, era mimada e ignorava Jon por ele ser bastardo. E Jon não ligava pra ela justamente por ela ser um tanto quanto boba e o destratava. Bem ilustrativo é o fato de que não há nenhuma fala entre eles na primeira temporada.

Mas a vida ensinou a eles que essas coisas são bobeira e que a família é o mais importante, independente de o irmão ser “bastardo” ou se erros foram cometidos por ignorância ou imaturidade. O que importa é o arrependimento sincero. Ter um ao outro naquele mundo hostil fará toda a diferença!

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Impossível não notar como a Sansa amadureceu e como ela se mostra alguém diferente de outros tempos. Não era de se esperar que ela agisse de outra forma no passado por inúmeras razões, mas fato é que ela foi fundamental para encorajar o Jon a seguir com a sua missão: assumir sua posição de único Guardião do Norte por direito. E não por que é interessante ou divertido guerrear ou reinar, mas porque essa é a única saída para um dia, quem sabe, viver com o mínimo de paz ou, simplesmente, não ser morto agora pelo Ramsey.

Sansa foi endurecida pelo sofrimento e a inocência se foi, infelizmente. Mas agora ela também está muito mais forte e tem um extinto de sobrevivência aflorado, mostra-se uma mulher decidida e uma potencial estrategista. Sem ela provavelmente Jon Snow não seria encorajado a continuar a batalha e se unir com os selvagens pelo Norte e, agora, também pela vida do irmão Rickon.

Naquela carta “come and see” o Ramsey chamou Jon de bastardo tantas vezes quanto o texto permitiu e a tensão naquela última sequência na Muralha foi muito interessante e instigante. Mas antes da tensão houve os olhares do Tormund para a Brienne e foi bem engraçado e bonitinho…quem sabe não sai um novo casal? Eu shippo xD

Ainda faltam uns 4 ou 5 episódios para a Batalha dos Bastardos e espero que até lá Jon consiga aliados nas Casas nortenhas e que Ramsey não esfole Rickon vivo.

No Castelo dos Bolton a Osha foi morta (como esperado) e pareceu uma morte sem propósito. Foi triste vê-la morrendo em razão de uma faquinha e um buraco na garganta jorrando sangue no chão…………..logo ela, uma selvagem sagaz, destemida e protetora. Mas Ramsey é Ramsey, né.

O que até então era estranho para as famílias de Westeros –ter Reis e Lordes bastardos, agora é uma realidade. O Norte está com o destino traçado nas mãos de dois bastardos, sendo um deles unido aos selvagens (considerados inimigos até então), ressuscitado e ex Lorde Comandante da Patrulha da Noite; e outro sanguinário que matou o próprio pai para se tornar Lorde Bolton, mesmo após tendo aquele o reconhecido como filho.

Vale de Arryn e Pyke

Petyr Baelish, nosso velho conhecido Mindinho, reapareceu depois de alguns episódios sumido. Lado bom? Ele conseguiu (sob a ameaça, mas conseguiu) um exercito comandado pelo Lorde Royce, para proteger Sansa do Ramsey e assim será um aliado de Jon Snow. Lado ruim? Nunca se sabe qual será seu próximo passo e o que ele é capaz de tramar, pois no final das contas ele é movido pelo seu próprio bem estar e nada mais. Se mostrou assustadoramente dissimulado e, como sempre, muito manipulador. Mas enquanto ele estiver disposto a proteger a Sansa (sem tentar se aproveitar dela em qualquer sentido), bom para os Stark mocinhos.

O Robin Arryn é um menino desequilibrado e minado, por isso extremamente instável. Dá medo o que pode acontecer quando ele descobrir que o “tio” matou a mãe dele, afinal, ele é o Lorde Arryn e pode simplesmente ordenar que Mindinho seja executado e que as tropas em favor de seus primos Stark sejam retiradas de pronto do fronte de batalha. O estranho aqui é a frieza do Mindinho, que trata Robin como o inocente que é e age como se não fosse responsável por tornar o menino um órfão.

Nas Ilhas de Ferro, o reencontro de Theon Greyjoy e sua irmã Yara foi bem satisfatório e sentimental na medida certa. Agora com o Kingsmoot próximo, o apoio de Theon para a irmã se tornar a rainha das Ilhas de Ferro pode ser importante. Algo impensado até então era ter uma mulher capitã comandando aquele lugar, mas agora há essa possibilidade. O Fedor, a coisa criada pelo Ramsey, está aos poucos dando lugar de volta ao Theon e isso é muito bom. Espero que ele tenha forças para lutar e se tornar o mais próximo possível do que já foi um dia como ser humano plenamente capaz e com personalidade.
Em algum momento Pyke voltará a se relacionar com as tramas da disputa do Trono de Ferro, os Greyjoy tem alguns personagens dos livros que podem aparecer em algum momento na série ou com a composição atual alguma coisa provavelmente acontecerá e esse núcleo interferirá na trajetória de outros personagens mais centrais.

http://i0.wp.com/r.fod4.com/s=h800,pd1/o=80/http://p.fod4.com/p/media/2e34500ac5/bgT35rm6TcuVbmrCRvMD_Theon_Is_Broken.jpg?resize=811%2C415 “I was broken”

Porto Real

Cersei parece enfim em uma trama relevante e um plano empolgante é mostrado em Porto Real. Mas é triste ver no que Jaime foi transformado na série! Ele virou uma sombra da Cercei e não faz mais nada de relevante além de apoiar Cersei, jurar fidelidade a ela pela vingança dos sobrinhos/filhos mortos e em invadir o Pequeno Conselho. Por outro lado, é muito interessante ver a dualidade da Cercei, de impiedosa, obstinada a manter sua família no poder, amargurada por não ter tido controle da sua vida e, ao mesmo tempo, doce e protetora com os filhos.

Mas, enfim, houve uma aliança entre os Tyrell e Lannisters e parece que, se tudo der certo, a Fé Militante está com os dias contados. Se odeiam, mas se unem pelo ódio ainda maior pelo Alto Pardal.

            O julgamento da Cersei está muito próximo e a condenação dela a morte é algo muito provável se o julgamento chegar a acontecer. Ainda, a caminhada da vergonha também será realizada pela Margaery se nada for feito e este foi um detalhe que muitos não tinham se atentado: o que aconteceu com Cersei, com Margaery também aconteceria ¯\_(ツ)_/¯ Então alguém, por favor, faça com que o Alto Pardal pare de dar aqueles discursos todos os episódios, porque as cenas dele são imensas e aquele testemunho dele ninguém mais aguenta desabafei. Ele é tão ganancioso e vaidoso quanto aqueles que possuem a Coroa de fato. Deixar com que Maergery visse seu irmão Loras foi uma demonstração de sagacidade e perversidade muito grande, pois sabia que aquilo poderia desestabilizar a rainha e o Loras fazendo-a confessar ou o próprio irmão fraco e completamente desmotivado o faria.

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“You are strong. You are the future of our house…”

            O Alto Pardal foi colocado pela Cersei, com autorização do Rei, ao posto de Alto Septão, que é a maior autoridade da Fé dos Sete. Justo os Lannisters, que estavam no cerne dos maiores escândalos da corte. Cavaram a própria cova pela sede de poder ao dar tanto espaço a Fé Militante, mas parece que as coisas voltarão a ser como antes, talvez.

ESSOS

Meereen

Tyrion aparece em sua melhor forma com a “abordagem diplomática” que lhe é comum e negocia a permanência da Daenerys na Baia dos Escravos sem os ataques dos Filhos da Harpia, mas a um alto custo: permitindo a escravidão por mais 7 anos. Esse é o estranho escancarado e horrível de se encarar. É compreensível que se tente chegar a uma negociação, sobretudo quando é uma questão tão delicada que envolve a cultura do local e não há poder suficiente para sufocar qualquer foco de escravidão, pois os senhores de escravos são realmente muito poderosos.

A economia e todos os costumes daquele lugar estão arraigados à prática da escravidão, isso é inegável. Mas e depois se existir alguma revolta, os responsáveis serão executados como Danaerys ordenou em outros tempos? E as lutas que foram permitidas de novo, eram horríveis também. Ser piedoso ou impiedoso é algo muito relativo. A única certeza é que 7 anos de escravidão para se adaptarem foi muito tempo…mas como Tyrion disse, ele não é “governante, quebrador de correntes”.

Temos um dilema quanto a paz e a extensão de significados dessa palavra. Acordos de paz sempre são muito delicados e nesse caso a diplomacia pode ter sido aparentemente eficaz, mas o lado mais fraco continuou a ser prejudicado. A célebre frase de Tyrion “fazemos as pazes com nossos inimigos, não com nossos amigos” é emblemática e sintetiza todo o drama dessa e de várias outras situações da história. Tyrion volta a se mostrar interessante, perspicaz e estratégico, mas ainda está em um terreno muito movediço entre a prudência e a vaidade.

Vaos Dothraki

Se você que estiver lendo essa análise leu o que eu escrevi sobre o episódio anterior, deve lembrar (ou eu te lembro agora) que eu falei que “Não resta muito para especular além de esperar que Jorah e Daario consigam concretizar o plano de milagrosamente resgatar “Dany”, caso contrário a melhor das hipóteses é ficar trancafiada em Vaes Dothrak com as viúvas de Khal.”. E, com felicidade, admito que errei. E ainda bem errei! Porque Daenerys não foi resgatada, ela mesma se salvou. E não apenas arquitetou tudo, como executou (com uma ajuda procedimental de Dario e Jorah para trancar a porta, sim) e sem o seu dragão.

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Daenerys estava em um núcleo parado e passou para outro sem muitas perspectivas de melhora que não viesse de um plano de fuja miraculoso, além de rememorar sentimentos de temporadas passadas. E ela mostrou que não está onde está apenas pelos dragões, mas porque ela está aprendendo com a vida, com os erros e tem talento para comandar e ser uma estrategista. Há quem diga que essa prática de queimar coisas lembra muito o Mad King, o pai dela. Ainda é cedo para dizer que ela será uma Mad Queen (se um dia for rainha), mas ela tem muito potencial para tornar-se uma líder incrível ou impiedosa e incendiária, sim.

Um detalhe importante a ressaltar é que nem todos os Targaryen são imunes ao fogo e, nos livros, nenhum é, nem mesmo Daenerys. Tanto no livro quanto na série todos os Targaryens são mais resistentes a altas temperaturas certamente, mas se queimam se expostos ao fogo; nos livros a Daenerys sobreviveu sem nenhum problema quando queimou os ovos de dragão na pira (mas os cabelos sim), por um momento excepcional, mágico, mas que não se repetiria. Na série ela é imune ao fogo completamente, inclusive o cabelo :D

A cena foi incrível e ainda que pareça uma repetição do que aconteceu na terceira temporada, não foi à toa muito menos um mero artifício para colocar um clímax banal no final do episódio. A pira da primeira temporada e a fogueira que ela fez com o templo da Dosh Khaleen nesse episódio pode ser o cumprimento de profecias transmitidas a Dany pelos Imortais – magos da Casa dos Imortais, da cidade de Quarth, onde ela foi à segunda temporada. Na série apareceram apenas duas visões e os Imortais foram representados apenas pelo Pyat Pree, mas nos livros há também um momento de profecias e uma delas dizia: “três fogueiras tem que acender…uma pela vida,uma pela morte e uma pelo amor…”. A fogueira pela vida pode ser a pira em que ela queimou o corpo de Khal Drogo, da feiticeira Mirr Mas Duur e onde seus ovos de dragão abriram; a fogueira pela morte foi esse episódio em que ela matou todos os Khal.

Daenerys pode ser, sim, o tal “garanhão que monta o mundo” da profecia dos Dothraki e não o filho dela como foi dito, até porque seria estranho para eles que uma mulher e uma estrangeira fosse a escolhida. Essa profecia é uma versão desse povo para a profecia do Príncipe Prometido ou Azor Ahai em Westeros (aquele que salvará o mundo dos Outros).

Agora Dany tem muitos grupos (Khalasar) ao seu comando, pois ela matou os respectivos Khal; ela tem um exército imenso ao seu favor e é maravilhosa e poderosíssima. Mas fica a dúvida: como fazer Dothraks atravessarem o mar para chegar até Westeros, se eles chamam o mar de “água venenosa” e tem verdadeiro pavor que beira a superstição contra navegar em alto mar? Agora temos que esperar para ver, mas as expectativas ficaram bem altas quanto ao futuro da Não-queimada e mais nova “queimadora de Khals”, segundo a internet. xD

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Este foi um episódio em que momentos chave da história foram mostrados e sem apelação de qualquer ordem foi capaz de prender a atenção do início ao fim. Mostrou os personagens em posições de domínio e demonstração de força, mas forçando a todos a encararem o lado estranho de todas as relações de poder, seja na forma de negociações improváveis, em personagens assumindo novos papéis e se redescobrindo ou em alianças obscuras que decidirão os rumos de toda a trama daqui em diante.

O terceiro episódio da sexta temporada de Game of Thrones foi intitulado de “Oathbreaker”, que pode ser traduzido como uma expressão para se referir a quem comete perjúrio, falso testemunho ou a um “não cumpridor de promessas”. E por que é importante ressaltar essa informação? Porque uma análise mais apurado do episódio mostra que seu título e as histórias nele retratadas cumprem por relembrar neste recomeço da série – em vias de desfecho com poucas temporadas por vir – que qualquer indivíduo está sujeito a não cumprir com sua palavra, seja por desonestidade ou pura ganância, seja em razão de um coração virtuoso cheio de boas intenções, que coloca sua palavra para trás em função de um bem maior.

A guerra pelo Trono de Ferro de Westeros é o resultado de inúmeras promessas não cumpridas e, dia após dia muitos dos personagens insistem (para o bem da trama, ainda bem, não?), em não cumprir com a sua palavra, como especialmente foi mostrado neste episódio.

A série está indo muito bem com a construção da trama, agora sem a publicação oficial dos livros para se basear. Digo “publicação oficial”, pois, ainda que os detalhes da história agora sejam de responsabilidade dos showrunners da série, é de conhecimento público que George R. R. Martin já contou o final dos livros para os roteiristas e estes deveriam, em tese, criar uma história inédita sem se distanciar da essência da saga. E assim vem sendo.

O terceiro episódio teve a missão ingrata de responder à alta expectativa do telespectador depois de um episódio muito empolgante e tenso como foi o anterior. Certamente não tem cliffhangers de tirar o fôlego tal qual a ressurreição de Jon Snow mas, ainda que tenha sido um episódio mais calmo, presenteou os fãs com aparições há muito esperadas e de forma sutil conseguiu ser surpreendente com o retorno de personagens até então sumidos.

Para uma análise mais coerente dos acontecimentos, não será seguida a ordem cronológica das cenas, mas dos núcleos por território e relevância na trama do episódio. Contém muitos spoilers e teorias. Siga com por sua conta em risco ;)

MURALHA

Ainda não é possível saber se o Jon Snow é o mesmo na sua personalidade, espírito ou aspirações; voltar do mundo dos mortes no universo de Game of Thrones, como explicado nos livros e demonstrado na terceira temporada da série quando um Sacerdote Vermelho ressuscita um membro da Irmandade sem Bandeiras, faz com que a pessoa esqueça memórias de sua vida anterior a morte, fiquem as cicatrizes do ferimento de morte e que parte da sua personalidade e energia vital se perdem, juntamente com suas memórias afetivas e essência da pessoa, se transformando em um ser humano no mesmo corpo, mas possivelmente com algum aspecto da pessoa pode mudar, se transformar ou se perder. Esses detalhes foram ressaltados pelo autor em entrevistas, inclusive.

Na série não sabemos se haverá esse preciosismo para mudar a personalidade da personagem e tornar a trama ainda mais complexa, mas nos livros essas transformações foram notadas e incisivas.

Ao retornar o fôlego de vida, foi mostrado um Jon Snow muito confuso, assustado, perplexo por ter sido traído em razão de seguir suas convicções por honra e, por isso, estava possivelmente frustrado. Se com sede vingança ou ânsia pelo poder de Winterfell, ainda não sabemos. Jon parece ter mudado de alguma forma, só não sabemos ainda se por reflexo do ritual de volta dos mortos ou por uma reviravolta (natural, afinal era para ele estar morto) que o fez rever os rumos de sua vida e suas convicções, sem que tenha mudado sua essência de bom moço e honrado tal qual Ned Stark fora um dia.

Ter condenado seus assassinos a forca, incluindo o Olly, uma criança movida pelo ódio do seu meio, pode trazer o questionamento se o antigo Jon agiria daquela forma ou até mesmo em que medida chegou a se sentir mal em ter que cumprir com aquela dura função.

Quanto a quebra da promessa e a reviravolta: deixar o manto de Lorde Comandante da Muralha para Edd Doloroso e quebrar seus votos da Patrulha da Noite, indo embora de Castle Black, o tornaria um desertor? Afinal, os votos são válidos até o findar da vida e até então nenhum dos corvos teria voltado dos mortos. É possível interpretar que a missão de Jon foi sim cumprida em vida, não havendo mais compromissos para com a Patrulha, será?

SAM TARLY

Sam e Guilly tiveram uma sequência simpática, apesar do inconveniente mal-estar de Sam no navio a caminho da Cidadela para ser um Meister. Como é de costume quando se trata desses dois personagens, foi mostrada muita cumplicidade entre eles, que se consideram agora uma família com o bebê Sam. Mas não teve como não notar uma certa mudança rápida demais na personalidade e aprendizado da Guilly: uma menina até então da floresta, insegura e inocente que nunca tinha visto outros lugares e outras pessoas, ao saber que iria para um lugar novo sozinha com o bebê, sem o Sam, se manteve muito segura e independente, dando inclusive suporte para o Sam. Tamanho desenvolvimento e amadurecimento da personagem em tão pouco tempo pode ter sido um exagero na dose de otimismo dessa sequência.

MEEREEN

Meereen não empolgou, mas é compreensível que o momento é de transição e estruturação de algo grande que está por vir. Mas convenhamos que aquilo que Varys descobriu sobre os inimigos de Daenerys não foi nada que os espectadores já não esperavam: quem financiou os Filhos da Harpia foram os “bons mestres de Astapor e os Sábios Mestres de Yunkai, com a ajuda dos amigos de Volantis”.

Entretanto, houve um momento de aquecer os corações não foi trocadilho pelos dragões, com um momento que pode se mostrar chave na história (a relação de Tyrion com os dragões levanta muitas teorias na história), mas também pode ser uma cena de presente aos fãs, sobretudo aqueles dos livros.

A história impressa deu mais detalhes, ao contrário da série que não se ateve às características do crescimento das personagens, sobre a devoção de Tyrion pelos dragões desde a sua infância, que os estudava nos livros e até mesmo sonhava com os animais, que cresceu achando que estavam extintos e que achava que jamais viria a conhecer. Aquele relato foi fiel a excerto do livro. Tocante,  aquela cena também cumpriu por mostrar que os dragões são sim muito inteligentes, sensíveis e sentimentais. Isso pode ser um trunfo a Rainha dos Dragões e seus amigos, mas também pode ser um risco, pois uma vez perdida a conexão com o dragão enquanto eles permitem, ele podem se virar contra ela, afinal, são animais selvagens e precisam de muito espaço.

VAES DOTHRAK

Destaque dessa parte em que Daenerys aparece foram as conversas no idioma Dothraki e o retorno a cenários mostrados na primeira temporada. Esse resgate de lugares já conhecidos da história traz certo saudosismo e remete a muitas lembranças saudades Khal Drogo. Não resta muito para especular além de esperar que Jorah e Daario consigam concretizar o plano de milagrosamente resgatar “Dany”, caso contrário a melhor das hipóteses é ficar trancafiada em Vaes Dothrak com as viúvas de Khal. E se ficar por lá, além de perder o Trono de Westeros, a vida não será muito boa, pois as viúvas não parecem estar dispostas a tornar a vida de “Dany” agradável, pois evidentemente não gostaram da aventura da ex Khaleesi pelo mundo, que fugiu do seu “dever” de isolamento e luto.

PORTO REAL

Porto real mostra-se ainda perdida, não só quanto a vida dos personagens – como era esperado –, mas quanto a forma de contar a história. Cenas arrastadas, lentas, sem muito propósito, que não empolgam e com assuntos repetidos. Igualmente a Meereen, momentos importantes estão por vir, mas em Porto Real a história parece estar se desenvolvendo de uma forma ainda mais lenta e os diálogos não parecem tão pertinentes quanto das temporadas anteriores. Novamente mostrou uma Cercei enlutada e com sede de vingança por aqueles que comentam sobre sua Walk of Shame, mas sem objetivos claros para seguir em frente, bem como o Jaime.  

          O retorno de Olenna Tyrell foi interessante e talvez seja um indício de que daqui para frente a trama vai começar a se desenrolar. A ingenuidade de Tommen não é um problema em si e ele tem o mérito de tentar ser um bom Rei e ser sensível às necessidades do que estão em torno, apesar do histórico de egocentrismo e ganância de sua família. O condenável, ao que parece, é a impressionante e fria capacidade de manipulação do Alto Pardal. Tommen é muito novo e tem um peso muito maior que alguém com tão pouca idade deve suportar. Se Tommen não voltar a ser bem assessorado, pode levar a Coroa a ruína e deixar só um dos “pilares gêmeos do mundo”, a Fé, em pé.   

OS STARK

          Por fim, mas definitivamente não menos importante, os pequenos Stark. Esse episódio foi um verdadeiro resgate das lembranças da família Stark. Os caçulas da família, a esperança de uma não extinção do legado dos Protetores do Norte, foram reintroduzidos na história com vigor e parecem como elementos chave para os desfechos das tramas.

Arya finalmente mostrou progressos na sua história e parece ter avançado muito no seu treinamento para se transformar em um “homem sem rosto”, na cidade de Braavos, no templo do Deus de Muitas Faces, localizada na Casa do Preto e do Branco.

Na verdade agora a Arya pode integrar essa sociedade secreta, que é composta pelos “Homens sem Rosto” que nada mais são do que os melhores e mais caros assassinos do universo de Game of Thrones. Agora ela está prestes a ficar habilitada para cumprir com a listinha de pessoas juradas de morte e vingança…desde que ela se desfaça da sua identidade e de quem era, mas nota-se que até então ela não descartou sua espada Agulha, que continua escondida. Notícia boa: Arya não está mais cega, fazia parte do treinamento \o/

Um momento muito surpreendente do episódio foi o retorno do Rickon, o caçula Stark. Isso não era especulado por ninguém. Infelizmente foi entregue pelo Lorde Umber ao personificação do mal Ramsey Bolton e ainda que haja muitas vantagens em manter o Rickon vivo, pode ser que o menino não saia totalmente ileso, pois sabe-se que Ramsey sabe bem como machucar alguém. A selvagem Osha provavelmente não terá a mesma sorte e o sofrimento é certo dado o histórico.

Aquela cabeça de lobo estava muito pequena para ser do Cão Felpudo, podendo ser de outro lobo para passar uma falsa garantia de lealdade de Lorde Umber ao Ramsey.

Pode ser que o Lorde Umber esteja tramando algo em favor dos Stark, pois a história que ele conta ao Ramsey não condiz com a realidade dos fatos (Jon Snow não está liderando um exército e indo para o sul com selvagens), contudo, esses podem ser os boatos que ele ouviu, acreditou e esteja mesmo sendo verdadeiro, talvez por ver que o ex bastardo não tem escrúpulos, nem mesmo poupou o próprio pai. Não se sabe as reais razões. Certo é: não serem mais leais aos Stark e apoiar os Bolton para ter o controle de Winterfell em desfavor dos Stark parece um tanto quanto suspeito dado o histórico das famílias do Norte. Entretanto, não há nenhuma certeza nesse momento, apenas especulações. A Batalha dos Bastardos está próxima e ter um Lorde Stark dentro do castelo dos Bolton pode ser algo decisivo para Ramsey, da mesma forma que os Umber podem estar tramando uma falsa lealdade aos Bolton e mudar de lado na hora da Batalha pode ser decisivo para Jon Snow nessa batalha tão importante.

Já Bran, que retornou depois de muito tempo igual ao irmão Rickon, parece ter uma participação chave dessa temporada e fase final das Crônicas de Gelo e Fogo, ao menos na TV. Todo esse tempo que não apareceu presume-se que estava em treinamento naquela caverna para se tornar um Vidente Verde, sob os cuidados e ensinamento do Corvo de Três Olhos (nessa temporada com outro ator).

Aquela cena se tratou de uma visão verde, de um momento no passado. A importância daquela belíssima cena de batalha em frente a torre, chamada de “Torre da Alegria”, é crucial, pois ali foi o momento em que Ned Stark e seus amigos, cujo o sobrevivente foi apenas Howland Reed, importante personagem na Rebelião de Robert, foram resgatar a irmã de Ned, Lyanna Stark, que estava nos últimos suspiros em uma cama naquela torre.

Diz a história, pela perspectiva dos Stark e Baratheon, que Lyanna foi sequestrada (contra a sua vontade, portanto) pelo então príncipe (irmão mais velho da Daenerys) Rhaegar Targaryen, que a escondeu nesta torre em Dorne, com a proteção de homens da Guarda Real.

Entre a mais emblemáticas teorias do universo de Game of Thrones é a teoria de que Lyanna poderia ter, na verdade, fugido com o príncipe porque não queria se casar com o Robert Baratheon ou, ainda que sequestrada contra a vontade, naquele momento do resgate na torre tinha acabado de dar a luz e morreu instantes após o parte, sendo aquele bebê o Jon Snow. Há, inclusive, ao fundo da cena, um barulho que se assemelha a um grito de mulher dando a luz ou um choro de bebê. SIM, pode ser que o Jon Snow seja um Targaryen e o tal “Príncipe Prometido”, da profecia sobre o salvador do mundo contra os Outros, que a Melisandre comenta no início do episódio, seja afinal o Jon Snow; ele até voltou do mundo dos mortos. Seria uma coincidência?

Há muitos indícios ao longo da história que corroboram que o Jon Snow pode não ser filho bastardo do Ned Stark e que, na realidade, os únicos que sabiam que ele era filho da Lyanna – que pediu para o irmão cuidar como seu próprio filho quando no leito de morte – eram Ned e o Howland Reed, este último não se sabe onde está.

Esta é a história daquela cena. E por que Bran é tão importante? Porque ele é o único que pode ser testemunha ocular daquele momento, através das visões verdes e mostrar ao mundo que Jon Snow é, não só o “príncipe prometido”, como pode ser herdeiro do Trono de Ferro, pois da linhagem masculina do rei Aerys II Targaryen, avô da Daenerys. Aquela cena foi propositalmente cortada, mas esta história está cada vez mais perto do desfecho. Fiquemos atentos aos sinais.

Com um episódio com revelações e um final surpreendente, sem beirar ao forçado e seguindo a ordem natural de um ritmo mais lento após um momento épico – com o qual não se pode competir –, a série segue com a qualidade que lhe é comum e não decepciona, salvo momentos pontuais até então, com a criação da história agora sem a base dos livros. Cada semente que foi plantada nesse episódio certamente renderá frutos surpreendentes nos próximos domingos.

 

 

 

 


 

Em “Book of the Stranger”, Tyrion faz um acordo. Jorah e Daario realizam uma tarefa difícil. Jaime e Cersei tentam melhorar sua situação. O episódio vai ao ar dia 15 de maio!

Em “Oathbreaker”, Daenerys conhece o seu futuro. Bran conhece seu passado. Tommen confronta o Alto Pardal. Arya treina para ser Ninguém. Varys encontra uma resposta. Ramsay recebe um presente. O episódio vai ao ar dia 8 de maio!

 

 

The Winter is Coming para Game of Thrones, em uma entrevista ao Variety, os showrunners David Benioff e D. B. Weiss disseram que estão planejando encerrar Game of Thrones com apenas mais 13 episódios após a sexta temporada (que estreia no dia 24 de abril).

Benioff e Weiss informaram que pensam em realizar sete episódios para a sétima temporada (prevista para 2017) e mais seis episódios para a oitava e potencialmente última temporada do programa.

“Eu acho que teremos mais 13 episódios após esta temporada. Estamos caminhando para o final”, disse Benioff. “Isso é o que achamos, embora nada ainda esteja definido, mas é como estamos analisando”. Será??

 

A HBO divulgou um novo trailer recheado de cenas inéditas da sexta temporada da série Game of Thrones!

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A sexta temporada de Game of Thrones marca o retorno de Bran Stark, que, após o treinamento com o misterioso Corvo de Três Olhos, pode agora usar seus dons especiais para ver o passado, o presente e o futuro de Westeros.

Com a queda de Stannis Baratheon, a guerra pelo Trono de Ferro parece ter acabado, mas ainda há ameaças ao reinado do Rei Tommen. Será que a morte da Princesa Myrcella pode provocar uma guerra dos Lannister com Dorne? E o o Alto Pardal e seu crescente exército de fieis pode representar problemas para Porto Real?

Do outro lado do Mar Estreito, Daenerys Targaryen saiu literalmente voado da cidade de Meereen, deixando Tyrion Lannister para governar em seu lugar. Será que ele pode manter a cidade de pé enquanto Jorah Mormont e Daario Naharis continuam a procurar pela rainha? Enquanto isso, em Bravos, Arya Stark encontra-se cega; mas continuará seu treinamento junto aos Homens Sem Face?

Ao Norte de Westeros, os Boltons permanecem em Winterfell, mas Sansa Stark e Theon Greyjoy conseguiram fugir de seus captores. Com Brienne procurando o verdadeiro herdeiro da Casa Stark, enquanto os vassalos leais de Casa Stark e as forças dos Greyjoys crescem, conseguirão os Boltons manter seus planos de poder?

A sexta temporada de Game of Thrones estreia no dia 24 de abril pela HBO!